Notícia

Valor compartilhado gera ciclo de benefícios para empresa e comunidade

28/12/11

Empresas híbridas devem ter foco estratégico para transformar custos em ações sociais valiosas

A sustentabilidade ganha atenção das empresas, mas os investimentos no plano social ou ambiental não faz sentido se atentar contra os objetivos econômicos de uma empresa. Por isso, surgem as empresas híbridas, capazes de realizar ações sustentáveis que gerem retorno econômico.

Para Newton Figueiredo, presidente Sustentax, em grandes empresas as ações possuem maior impacto, mas o objetivo continua a ser o de gerar retorno econômico. A mineradora Vale, por exemplo, atua em um segmento de grande interferência nos recursos naturais e conta com mecanismos de compensação ambiental previstos por lei.

Mas ao mesmo tempo em que empresas estabelecidas reforçam marcas e resultados com uma atuação mais sustentável, empresas do terceiro setor também podem ser bem sucedidas ao adotar o modelo híbrido.

Entretanto, é preciso entender a necessidade de se ter uma nova estrutura administrativa, que pagasse como em empresas privadas e possuísse políticas de RH e retenção de talentos.

Dicas para desenvolver o “hibridismo”

O professor Thomas Wood, da FGV-SP, relaciona em seu trabalho alguns tópicos que devem ser considerados e seguidos para aproximar uma empresa de um modelo de gestão híbrido:
•    Enfatizar e disseminar a história da organização ou organizações envolvidas. Identificar sua origem, principais marcos e eventos que permitam compreender a dinâmica e formação de características híbridas dentro do grupo;
•    Identificar grupos presentes na organização, assim como entender o espaço que ocupam. O mapeamento auxilia o entendimento de motivações e ações, ajudando a definir a melhor estratégia;
•    Identificar manifestações de hibridismo dentro do sistema objetivos da empresa (modelos, processos e procedimentos), bem como em sistemas subjetivos (cultura da empresa, identidade organizacional e discurso). O estudo permite encontrar focos nos quais a personalidade híbrida da empresa se manifesta com maior força;
•    Identificar possíveis pontos de conflito que possam ser gerados com a manifestação de caráteres híbridos;
•    Definir a melhor estratégia de intervenção.

Ciclo de benefícios

Segundo Figueiredo, grande parte dos gestores brasileiros ainda confundem Responsabilidade Social Empresarial (RSE) com filantropia.

Ele alerta que o modelo de negócios de uma empresa híbrida funciona quando as ações sociais são vistas como investimentos que geram benefícios sociais e retorno para a corporação, como no modelo de valor compartilhado proposto e gerado sob três formas, segundo Michael Porter,: reconceber produtos e serviços; redefinir a cadeia de valor; criação de ‘clusters’.

Redução de riscos

Empresas híbridas aprendem a investir na solução de problemas. “Na medida em que cada parte interessada passa a ter influência na taxa de risco da empresa, gerar valor a essas partes se torna condição de obtenção do seu resultado”, afirma João Francisco de Carvalho, presidente da consultoria em sustentabilidade The Key.

Para ele, o investimento social estratégico leva em conta o público que será atendido, as parcerias a serem estabelecidas, a natureza da atividade da empresa e a região onde serão implementadas as ações.

Fonte: Portal HSM